sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aquele minuto sombrio, em que a nitidez pesa
E o realismo exasperado se sobrepõe à beleza do mundo,
Que passa a parecer um vislumbre fantasioso de idealidade.

Aquele segundo fatídico, em que teima vir à tona
Um travo amargo de verdade absurda…
A verdade dicotómica que deixamos transparecer
Através dos actos que não ousamos praticar,
Das palavras sentidas que nos recusamos a proferir,
Dos gestos inegáveis, instintivos e irreprimíveis
Constantes no nosso turbulento modo de agir.

Contudo, desliguemo-nos de dualismos.
Deixemos o realismo arrumado na cave do ser.
Toquemos o idealismo assolador do sótão do sentimento.
Equilibremos o insusceptível.
Relativizemos a verdade.
Façamos o belo (re)florescer,
Como uma Fénix renasce das cinzas.

O importante é o essencial:
Os sorrisos inequívocos, ainda que contidos por um dever ser que não é;
A intencionalidade subjacente às palavras interditas pela razão;
Os gestos que, de tão naturais, postulam as emoções
Adormecidas na intensidade de um sentimento inexpresso, mas expressivo…

Maria Vaz

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