quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nunca vos aconteceu 'sofrer' inexplicavelmente por pequenas coisas, 'pequenas' pessoas ou minudências quotidianas, que nos dizem, infelizmente, muito mais do que aquilo que, logicamente, nos deveriam dizer?? Pois é, estas coisas conexas a análises impensadas e a percepção de sentimentos e motivações recalcados, nos outros, é uma treta (para não utilizar um vocabulário mais forte que, decerto, explicaria muito melhor a minha inquietação).
Acredito que quem leia possa não perceber. Certamente não seria incompreendida se todos de vós compreendessem aquilo que, inefavelmente, vos quero dizer.
Mas hoje (e espero que durante muito tempo), estou voltada para o desapego dessas 'coisas', dessas minudências, desses 'fardos' que, muito sinceramente, não devem ser para mim. Porque não me servem. Não me fazem sorrir. Não estimulam o melhor que está na origem daquilo que sou.
Pois é, não estou para me reduzir a pequenas coisas, pequenas pessoas, diminutos pensamentos ou sentimentos café com leite.
Esta coisa de ser como uma esponja e absorver tudo o que de bom e mau ocorre à minha volta tem os seus quês, os seus dramas. Mas hoje (e talvez amanhã), vou (tentar) desligar-me de análises e analogias. Vou deixar de olhar para os outros a tentar identificar padrões ou com o intuito de desmistificar o indesmistificável. Vou deixar-me ser surpreendida pela fenomenologia do meio. Vou (tentar) relativizar.
Eu sei que as pessoas são infelizes porque se apegam ao que não devem, dogmatizam ilusões, acreditam em inverosimilhanças alheias que se vislumbram na falta de intensidade do olhar de quem as profere. As pessoas 'sofrem' porque se agarram ao sofrimento, como se fossem ultra masoquistas. Eu, não estou para isso.
Enfim, hoje estou mais permeável a filosofias estóicas e orientais. Acredito que basta relativizar, desapegar, passear, sorrir. E, acreditem, isto é tudo uma questão de amor próprio.

Maria Vaz



2 comentários:

  1. Confesso que me conquistaste com essa dos «sentimentos café com leite»... eheheh ;) Gostei bastante deste texto / desabafo. Creio que ainda não me havia sentido tão perto da tua essência e da palavra que te empenhas a revelar como aqui, neste teu trabalho. E é curioso falares na filosofia estóica... Pois das escolas clássicas do pensamento grego, o estoicismo sempre contou com a minha simpatia. O mesmo se passa com a escola oriental, onde o taoísmo, por exemplo, granjeia a minha atenção. Não falo da religião, pois isso levar-nos-ia até outros campos, mas do pensamento em si... É uma questão de 'identificação' e não de 'seguimento'. Apesar de idênticas, são coisas distintas. Dentro desta óptica, o Tao Te Ching, por exemplo, é uma obra belíssima que marca o início deste pensamento fundado pelo sábio Lao-Tsè (que tenho em altíssima conta). Se nunca a leste... eu a recomendo veemente.
    O desapego tem o que se lhe diga... Mas é uma arte sublime. Difícil de empreender, pois a nossa mentalidade desde muito cedo é programada no sentido oposto, o que só torna o desafio maior. Mas é um passo para a libertação, sem dúvida... O grande bem do Homem. No meu próximo livro, irei superficialmente abordar este tema.
    Bem, já me alonguei... Despeço-me da mesma forma como me apresentei: parabéns pelo texto! ;)
    Beijos, fica bem.

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  2. Muito Obrigadaaaa, Pedro! Mais uma vez!
    De facto, nos dias em que o meu pensamento deambula por uma ou outra nebulosidade, valho-me do estoicismo, como 'quid' relativizador. Nesse sentido, de entre as filosofias que emergiram após a queda da civilização helénica, o estoicismo, é aquela que mais conta com a minha simpatia (relativizando e vislumbrando a felicidade como algo que vem de dentro, devendo o homem dedicar-se a uma vida interior sem necessidades externas), o mesmo não posso dizer do cepticismo. As escolas orientais fascinam-me pela sabedoria e pela simplicidade com que a expressam. Todavia, confesso, não as conheço muito bem. Lerei, sim, o Tao Te Ching, como recomendaste (não sei bem é quando, porque outras leituras imperam).
    De acordo com a 'sabedoria oriental' o desapego é mesmo aquilo que o homem deve atingir para se poder libertar dos véus de Maya, sendo a lição mais difícil de assimilar, mexendo com o desbloqueio energético do último chakra (o coronário).
    Lerei também o teu livro, quando estiver concluído, claro.
    Beijo

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