terça-feira, 12 de novembro de 2013

Vejo-te em pequenas minudências, detalhes e pormenores.
Escuto-te no silêncio ensurdecedor da consciência.
Sinto-te no vazio, aparente, que a ausência de luz esconde.
Antevejo-te nas coincidências que a magia da vida faz acontecer.
Vivo-te na intensidade das emoções inexplicáveis que tocam o coração.
Intuo-te na solidão falaciosa da ausência de companhia.
Capto-te em imagens, nomes, números, símbolos, conexões.
Reflicto-te com base em livros ancestrais:
Alegorias que atravessaram o tempo; histórias; metáforas;
Filosofias complexas e baratas; romantizações do mundo com
resquícios de verdades essenciais.

A mente humana complica-te:
Não te vê, escuta, sente, antevê, intui, capta ou reflecte.
Desacredita-te porque quer outra coisa, que não a verdade.
(A verdade dói, não é?
E o Ego é sempre o Ego: aquele ímpeto de vaidade que nos assola
E nos cega; que nos agiganta e nos esmaga; nos dignifica e desumaniza).

Esquecemos-nos da leveza da essência, da natureza, do intangível.
Perdemos-nos em complicações aparentemente descomplicadas.
A razão excessiva torna-nos escravos de automatismos de relativização
axiológica que andam de mãos dadas com o 'desvalor' essencial,
a falta de personalidade, de brilho interior, de virtuosidade nos gestos e nas palavras.
A neutralidade do raciocínio lógico
faz-nos enveredar pelas caminhos sinuosos de um rumo sem iluminação.

E, no entanto, a verdade está em tudo.
Em toda a parte.
Tatuada em momentos, símbolos, auras, reacções, tendências.
E, eu, costumo perguntar-me:
Não serão esses pedaços, iluminadores de verdade,
demonstradores de uma ordem no caos?
E, como em tudo, não estará essa ordem dentro de nós?
Não aflorará do silêncio aparente onde nos gritam as palavras?

Maria Vaz



2 comentários:

  1. Belo trabalho, bela imagem... Que, aliás, na perfeição o complementa. Belíssimas e sempre pertinentes reflexões, como sempre. E, também como sempre, acabo por concordar com a tua abordagem... Gostei. E espero pelo próximo ;)
    Beijos, fica bem.

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    1. Muito obrigada, Pedro, pelas palavras de incentivo. Gosto que tenhas gostado. Beijos :)

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