sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

ASTROLOGIA: uma ciência?

A astrologia é um mundo em que gosto de me perder. 
Nela encontro explicações que o rigor do 'experiencialismo' (material), do método científico, afastam. Nela vislumbro respostas para coisas aparentemente inexplicáveis, porque detentoras de uma certa dose metafísica. Nela parecem residir mistérios que a ciência, enquanto construção teórica, ainda não conseguiu alcançar. 
É de notar que, quando falo de Astrologia, falo de uma ciência, porque, afinal, muito além da significância que lhe atribuímos por senso comum, falar de ciência é falar de conhecimento (da raiz latina scientia). E a astrologia é um verdadeiro sistema de conhecimento. 
As mentes mais cépticas e mais vendidas a preconceitos sociais (que rondam o ridículo por falta de fundamentação ou por indagações que tocam a questão da falta de 'padronização' ou  de coerência), contestarão. 
Essas mentes, quando muito, argumentarão tratar-se, no máximo, uma pseudo-ciência, devido ao facto de não acreditarem estar perante um verdadeiro conhecimento sistemático. 
Bem, respeito o argumento, todavia, sou levada a mostrar-lhes que a Astrologia é, ao contrário daquilo em que acreditam (ou queiram acreditar), um verdadeiro sistema. Contudo, é um sistema não linear. É complexo. A sua racionalidade é teórico-prática e extremamente analógica. Até porque, atendendo à realidade prática, se torna impossível padronizar totalmente pessoas, pelo simples facto de cada um ser único e dotado e uma particularidade individual, ainda que gerada de universalidades. Falando de forma simples: se não há ninguém igual a ninguém, ou seja, se somos todos diferentes, como podemos ser colocados em categorias, padrões ou rótulos? É impossível. É por isso que aqueles que pretendem adquirir conhecimento astrológico têm de possuir capacidade de raciocínio abstracto e alta capacidade interpretativa em termos simbólicos, realizando - na interpretação do mapa astral - um conjunto avultado de raciocínios analógicos, sendo certo que tem de existir uma base sólida de conhecimento, relativo a cada 'símbolo', sedimentado à priori. Na mesma linha de raciocínio (e falando da forma mais árida possível), muito embora sejamos todos 'feitos' do mesmo 'barro', todos temos diferenças (intrínsecas e extrínsecas) que nos tornam seres únicos, daí a irresultabilidade de qualquer estudo de demonstração empírica, em termos gerais.
Se me disserem que existem questões astrológicas que, muito embora funcionem na prática, não têm uma explicação teórica muito bem fundamentada, eu sou obrigada a concordar. Todavia, a crítica não pode esquecer aquilo que fora explicado supra, tal como tem de perceber que o tema em apreço toca temáticas que rondam o metafísico, não podendo, por isso, ser corroborado por meros estudos demonstrativos. 
V.g., se me perguntarem porque é que se define o signo ascendente pelo simples facto de o Sol estar a ascender a oriente sob essa energia (constelação) aquando da hora do nascimento da pessoa, a única coisa que saberei responder é que, de acordo com os ensinamentos mais antigos, é essa energia que marca a primeira respiração da pessoa (ou seja, marca o seu primeiro contacto com o meio), definindo a sua tendência de afirmação de personalidade, através do seu 'impulso' para a vida. Se me perguntarem mais porquês, não saberei responder, todavia, saberei identificar a personalidade, que lhe corresponderá, em termos práticos.
Se me perguntarem porque é que, através da energia presente no Medium Coeli (ponto ficcional do mapa astral, representativo do Zénite Solar)conseguimos perceber qual é o direccionamento social, em termos profissionais da pessoa ou qual o tipo de profissões que mais se adequam (ainda que devam ser efectuadas as devidas analogias, no caso de a casa X se encontrar 'habitada' por algum planeta - relevando a sua significância intrínseca, os seus aspectos e a sua dignidade, ou seja, saber se o planeta está domiciliado, exaltado, em queda ou em deterimento - entre esse planeta e a energia presente na cúspide dessa mesma casa), a única coisa que saberei dizer é que, de facto, por mais estranho que pareça, a pessoa em apreço tem determinada tendência a ser percebida socialmente e determinada tendência relativamente à sua forma de lidar com pessoas que estejam numa posição de supremacia (daí as analogias normais com o pai, o patrão, etc). Exemplificando: Uma pessoa que tenha Touro no MC (Medium Coeli), tenderá a ser uma pessoa determinada e persistente na busca de um prestígio social, vulgo, carreira. Será alguém, cujo ideal de trabalho é uma profissão que dote o sujeito de segurança, podendo ter a ver com a administração de recursos. Todavia, se essa mesma pessoa tiver Marte na casa X, em Gémeos, a energia de Touro tem de ser analisada à luz desta nova significância. A receptividade de Vénus - regente natural de Touro - passa a ser alterada pela tendência impulsiva (Marte) na comunicação (Gémeos). Para calcular a forma como essa pessoa se sairia nesse campo, teriam de se averiguar os aspectos de Vénus e os aspectos de Marte (designadamente conjunções, sextis, quadraturas, trigonos e oposições, ainda que se devam também atender a aspectos menores). 
Tudo isto para explicar que a racionalidade a aplicar não se pode basear em concepções meramente teoréticas e explicativas pois, se assim fosse, qualquer um interpretaria o seu próprio mapa. Ao mesmo tempo, não estamos perante uma racionalidade exclusivamente prática, uma vez que é necessário um estudo árduo, à priori, denotando a necessidade teórica.
Destarte, a astrologia é um conjunto dessa teoria (acessível a qualquer comum mortal) e de uma prática que tende a seguir um raciocínio analógico, o que complica a interpretação, para muitos.
Resumindo: que me digam que não conseguem entender, é uma coisa; dizerem-me que não se trata de um sistema de conhecimento, é outra. 
Dizerem-me que é ridículo ou mera coincidência é... bem... para esses só tenho uma coisa a dizer: vão estudar astrologia, como eu fiz (sozinha). Não digo que comecem nos primórdios, mas vão ler Dane Rudhyar, Liz Greene, André Barbault, Stephen Arroyo, entre tantos outros (há, inclusivamente, astrólogos portugueses muito bons). Desenvolvam o raciocínio abstracto e analógico. Se não ficarem convencidos, argumentem, mas não me digam que é ridículo, porque a astrologia transporta, em si, a compreensão do divino: corrobora a lei da correspondência; coloca em evidência a existência do Ritmo; da polaridade; do género; da vibração; da causa e efeito; e faz-nos perceber a importância da lei do "mentalismo", porque a mente é, de facto, a única coisa que nos permite mudar intrinsecamente. Façam-me um favor: não a fechem!! E perdoem-me qualquer ironia. 

Maria Vaz





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