segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Viver a equacionar o infinito,
o impossível,
o impensável:
eis o meu lema.

Velejar ao sabor
de um vento
que revolve todas as certezas,
para perceber a sua raiz.

Um querer crer
não sei bem em quê:
numa inteligência que tudo liga,
que tudo ordena.

Uma busca insaciável
pela verdade...
O que quer que ela seja.
Ou o mais próximo dela,
que talvez passe pelo sentir.

Um terrível impulso
para a precognição.

Para quê respeitar formas
se elas não passam de imposições?
Para quê viver alienado de substâncias
se são a única coisa que temos sem saber?

Fica somente o subtil.
O essencial.
A matéria apenas permite usufrutos
e qualquer propriedade é mera ilusão.

Uma inquietude,
de origem incógnita,
que teima em levar-me
ao que está oculto em aparências.

Uma busca...
não sei bem de quê:
fome e sede de algo
que parece estar
muito além...

A irritação da mentira
sobre uma verdade que se perdeu...
E a desconfiança
das verdades que se alcançam.

A tentativa,
sempre a vã tentativa,
de alcançar algo que cale o pensamento,
que acabe com o dualismo original.

A inquietação visível
com o contentamento descontente,
desses que nasceram para viver sem pensar.
Porque pensar é muito mais do que repetir:
repetir é acreditar em tudo;
É não sentir nada;
É viver com alergia ao verosímil.

A irritação com a desvirtuação
dos sentimentos,
aliada à banalização das palavras.

A revolta
com o fingimento da compreensão.

O repúdio pela
indiferença ao sentimento alheio
e pela ilusão daqueles que
pensam que sentem
mas que não sabem o que é sentir.

A indiferença
relativa aos que se acham
insubstituíveis;
face à sua magnânima mesquinhez.

A impaciência
com implicações
que tocam o desprezível.

A incompreensão.

Entre a mentira e a verdade.
A beleza e a obscuridade.
Entre o meu 'eu' e o mundo.
Muito longe daqui...

Maria Vaz






2 comentários:

  1. Uma busca por algo superior que é constante confrontada com a realidade. Belíssima exposição.

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