quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Caras sem expressões
Vidas sem sal e pimenta
Linguagens corporais óbvias...
Gestos sem emoções.

Magnetismos fracos
Inteligências escassas
Conversas cansativas
Olhos sem brilho.

Eternidades perdidas
em efemeridades ou
Significâncias insignificantes:
Nada!!

Maria Vaz







 

3 comentários:

  1. «A insipidez da existência que alienada se desenrola pelo incontável suceder dos dias cinzentos... Ignora ainda que a cada dia a vida se renova» - a leitura do teu poema concedeu-me este pensamento... =)
    Nessa fome oculta que amiúde ruge, já que os egos só alimentam o vazio das ignóbeis ilusões, escreveste: «Eternidades perdidas / em efemeridades». Brilhante captação. Por aí se desgastam e desperdiçam vidas e vidas que poderiam ser plenas de cor e de propósito. Quantas vezes terá o Homem de cometer o mesmo erro até finalmente despertar do letárgico sono em que imergiu? Escrevo isto e, olhando para o meu lado direito, leio a inscrição que colocaste por debaixo da tua foto, por certo inspirado num dizer de Sophia de Mello Breyner: 'Sei que seria possível construir o mundo justo...'. Sublinho. E faço dela a minha esperança de sempre.
    Gostei de ler, 'jovem poetiza pensadora' ;)
    Beijos e até breve.

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  2. A minha imperfeição humana faz-me percorrer caminhos entre a verdade e a ilusão. Faz-me questionar 'pequenos nadas' que me vão ferindo o ego e dando asas à inspiração. E não há inspiração sem sentimento, ainda que ferido, tal como não há verdade sem que nos percamos um pouco na ilusão. A razão pode ser bela e atormentante e a verdade é como um condor em alto voo: normalmente está inscrita nas pequenas coisas a que ninguém dá importância. E há dias em que apetece matar a vã filosofia e a reflexão na vivência, na fuga inspiradora que faz brotar as palavras. Mas as palavras são fuga, vida e percepção e, não raras vezes, fazem-nos perceber o que a rapidez das reacções não deixa, de imediato, na nossa consciência. Continuo a achar o que escrevi... mas, muito sinceramente, admito que me perca entre a vontade de melhorar o mundo e a contemplação daquilo que efectivamente é. Se calhar tento enganar-me por acreditar que posso mudar algo. Outros dias há em que o determinismo me assola e faz brotar no pensamento uma espécie de renúncia do ego pela contemplação... E no fundo, há um optimismo que vai fazendo com que acredite que o melhor está sempre por vir.
    Por fim, não poderia deixar de frisar que o importante é perceber a verdade quando ela surge. O ouro e o banhado a ouro têm a mesma aparência, mas jamais serão a mesma coisa. Nas relações humanas, como em quase tudo na vida, resta-nos a percepção e o sentimento da verdade além da aparência. Falta-nos a sensibilidade que tudo capta para saber distinguir um raio de sol de uma luz artificializada, a verdade do calculismo, o carinho do funcionalismo, o gostar do mero circunstancialismo. Enfim, que venha a percepção da eternindade nos 'pequenos nadas' e que a efemeridade nos sirva sempre como parâmetro de distinção. Até o vazio ontológico de um ou outro ser vagueante nos vai trazendo a percepção de uma ou outra coisa que precisamos aprender. E esta vida é tão pequena para quem quer melhorar o que é...
    Obrigada, Pedro, pelo cuidado que tens sempre em ler e comentar o que escrevo. Beijo :)

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  3. Sinceramente, Maria, só a tua resposta daria um excelente artigo. Apreciei bastante a tua exposição e consequente articulação das palavras... Falo sério: num simples comentário abordaste questões de uma forma que muito bem serviria a um artigo, breve ensaio ou simplesmente a mais uma publicação neste teu interessantíssimo blogue. Não tenho muito mais a argumentar, pois vejo-me a concordar com as ideias sobejantes... Apenas uma ressalva: pelo simples facto de estarmos no mundo já o estamos a mudar. É a velha questão do 'valor da vida humana e seus potenciais'. Recordo as palavras de um escritor: «o mundo hoje é um lugar melhor do que era quando nasci, pois eu vivo nele». Não vejo isso como arrogância, mas como o expressar do infinito leque de potenciais que ao Homem se pode anexar. A esperança, no fundo, onde reside senão no Homem? Divindades à parte, as acções aqui praticadas são de sua exclusiva responsabilidade.
    Além disso, a vida é composta por impermanências de diversas índoles... É perfeitamente justo acreditar que 'o melhor está sempre por vir'. A vida são momentos, essencialmente... Findado o inverno, eis a primavera. É um ciclo natural que, por vezes, merece uma crença maior em suas virtudes.
    É um prazer ler e comentar, ora essa... =)
    Beijos, fica bem.

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