domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dizer o quê?
As palavras, além dos actos,
seguem tramites de infidelidade:
deturpam o perceptível
na ausência da espontaneidade
das expressões.

MV


 

3 comentários:

  1. Gostei =) Claro e conciso, pleno de uma objectividade precisa. Dizemos sempre tanto com tão pouco, não é? Fica a ideia no ar, após a leitura: o quão valioso e significativo é por vezes o silêncio... Eis a beleza do inominável.
    Gostei, repito, do breve apontamento reflexivo arrumado em jeito de poema. ;)
    Beijos e até breve.

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  2. Sou uma apreciadora da beleza que subjaz o silêncio, a ausência de palavras, a profundidade do olhar, dos gestos... Há silêncios, com toques de telepatia, que me maravilham.
    A verdade é cognoscível mas intransmissível pela imperfeição da palavra. Demasiada exactidão é infidelidade: com o pensamento que vagueia, com o coração que sente, com a realidade subjectiva, com a vida.
    É por isso que os poetas, um pouco como os filósofos, buscam a beleza para refinar os silêncios e para dar sentido ao poder que podem ter as palavras.

    Obrigada, Pedro! Beijinho :)

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  3. Sim, Maria, compreendo e concordo com o que dizes... Eu próprio sou um grande apreciador (e 'buscador', diga-se) do silêncio... Esse estado tão sublime onde a paz conquista o espírito, onde a mais alva das flores irrompe da alma invicta. Estou a ser poético, mas sincero... O silêncio é a origem de todos os sons... Mas não só. Aliás, é muito mais do que isso. A consciência que a ele abre as suas portas indubitavelmente entra num reino deveras superior.
    Beijos.

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