quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ela olha para as minudências de tudo na expectativa de tropeçar em algo inarredavelmente brilhante ou disparatado: talvez seja uma apaixonada pelo poder de infinito que subjaz o caos. Ama a liberdade e as sensações de infinitude que a natureza proporciona numa simples brisa, que se amplia e vira rajada de vento com a profundidade de um qualquer sentido. Talvez seja predestinada à intensidade das pequenas coisas ou à possibilidade, quase impossibilitada, de reconciliar paradoxos. Tem uma paixão arrebatadora pelo mistério e pelo impossível. Sabe sem perceber e revolta-se sem querer. Ainda assim, sorri. E basta-lhe o sorriso, tão doce quanto irónico, para que deambule enquanto sonha acordada. E nenhuma intensidade combina com a fragilidade de um qualquer universo paralelo cor-de-rosa.




3 comentários:

  1. Quem disse que a partir da terceira pessoa do singular não se compõem auto-retratos competentes?? ;)
    Beijos.

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    1. ;) Um bocadinho de mim através dos reflexos que 'pequenos nadas' do quotidiano me vão mostrando. Talvez nos analisemos melhor tentando-nos passar por outra pessoa: como se nos permitíssemos olhar com outros olhos para a exterioridade daquilo que somos. Mas depois há todo um mundo (tão nosso, inextrincavelmente nosso) que nos dá estes olhos singulares que temos e esta visão tendenciosa, que é dificilmente afastável. O resultado é uma mistura de sentidos com percepções reflexivas e evidências que a voz de terceiros faz ecoar nos nossos ouvidos. E há sempre um mundo interior, tão mais rico do que qualquer exterioridade... e sempre mais além e mais carregado de 'pequenos nadas' que o tempo se pode encarregar de no-los fazer perceber.

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