segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Os pragmáticos despedem-se de forma desmistificadamente indolor. Os idealistas colocam todo o seu sentimento no abraço que toca o abismo da ausência. Não é a dependência ou qualquer idealização de amor (ou do seu sentido). É tão somente a gratidão ou, antes de tudo, o egoismo auto-protector ante a ausência forçada.
A vida é mesmo conciliadora de paradoxos e toda a chegada implica uma partida. E deixando idealismos de lado, toda a partida nos enriquece e nos fortalece por dentro. Não perdemos nada: continuamos com o mesmo olhar sobre a realidade, com a mesma perspectiva... mas os horizontes alargam-se tanto que alcançam um ponto sem retorno. E o limite não é céu nenhum: é o brilho incandescente das estrelas que os nossos olhos, também impregnados de luz, vislumbram no meio das trevas.


3 comentários:

  1. Belíssimas palavras, Maria... Gostei bastante. Talvez por me rever tanto nelas e no seu sentido (mais de essência do que de aparência), o que poderá imprimir alguma tendenciosidade ao comentário... ;) Vivi-as muito recente. É isso. Como tenho por hábito dizer: nunca 'perdemos' aqueles que amamos no momento da inevitável partida. Ganhamos antes toda uma vivência plena de luz.
    Beijos. E feliz Natal! :)

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  2. Obrigada, Pedro! Fico feliz por te reveres no sentido essencial do texto. É precisamente o sentido, além da "aparência", que procuro sempre transmitir. Não te desejo um feliz natal, porque já passou... mas deixo-te votos de muitos sorrisos e inúmeros "pequenos nadas, que são quase tudo", neste novo ano. Que 2015 te traga muita inspiração e capacidade de sonhar. Beijo

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  3. Bem sei, Maria... Que possas permanecer sempre assim: fiel a ti própria, à fibra mais subtil da tua essência.
    Agradeço os gentis e (muito) inspirados votos... =) Naturalmente, retribuo-os. Saúde, amor, sucesso e felicidade a jorros! Beijos.

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