sábado, 24 de janeiro de 2015

Num destes dias gelados alguém me disse: "és uma pessoa reservada".
Olhei para cima em tom pensativo, enquanto enrolava o cabelo, e respondi: "se as pessoas mais próximas ouvissem isso rir-se-iam, porque eu falo imenso, com naturalidade, sobre qualquer coisa".
A resposta foi: "Elas não percebem".

Confesso que a minha primeira tendência é pensar, por rebeldia ontológica, que eu é que sei o que sou. Depois, tentei olhar para mim de fora e percebi que talvez esconda o melhor.
Falo de facto, sobre qualquer coisa, sem falsos pudores. Não me choco com muita coisa. Faço piadas. Intelectualizo. Sorrio. Tantas vezes ironizo. Superficializo. Agito a vida com a beleza ou a sujidade de pequenos nadas. Fujo da realidade e tropeço em mim:

como reajo ao que tem importância?






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