sábado, 7 de fevereiro de 2015

Perguntaram-me: "o que queres?"
Paralisei o pensamento no olhar, enquanto a boca se abriu para dizer, como o poeta: "quero ser eu sem restrições!"
A resposta valeu um sorriso impregnado de ironia (in)concretizadora, própria do pragmatismo que respeita as hierarquias assentes na ostentação indolente do verbo 'ter'.
Pensei um pouco mais e adiantei: "claro que quero ter, viajar, ler, sentir, experienciar, mudar: viver! Viver sem amarras restritivas e, de preferência, impregnada de beleza e arte. Não custa imaginar!"


Saber o que quero?
Quero tanto coisas distintas:
"definir é limitar"!
A liberdade esvoaçante de ser sem restrições!
A opacidade mental que se impacienta com auto-limitações!
O temor ávido da imposição dogmática
e o desrespeito pela intolerância consciente.
O lema: ser em liberdade!
A felicidade que a efemeridade eterniza em pequenos nadas,
na intensidade com que nos doamos ao tempo que o tempo nos dá!
A busca de um ideal que se encontra numa efemeridade que perecerá...
e a certeza de que novas efemeridades nos farão alimentar essa busca.
Ah, a ambição inadiável de expandir o eu:
conhecer, sentir, mudar, viajar, crescer!
Nunca fui dada à inércia de não ser!
O desperdício da vida está em não sonhar!
Sem paciência:
Deuses... não me venham limitar!







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