quarta-feira, 8 de abril de 2015

Às vezes, o pensamento solta-se num vento em que o caos se dissipa para trazer claridade. E essa claridade é somente pedaço de um todo, cuja infinitude não é cognoscível. É um pedaço de percepção que vem como suspiro e penetra em nós como quem percebe que o céu é azul, depois de ter vivido uma vida inteira a achar que era anil. Sem fatalismos ou pessimismos. A claridade tem a leveza da mudança, no plano da interioridade.
Foi essa claridade que, em conversas de sol, me fez enterrar razões nascentes da necessidade de perceber uma razão inatingível. Afinal, há planos onde não cabem palavras articuladas para corresponder a certezas infalsificáveis; onde não cabem actuações formais, a seguir a linha do politicamente correcto. Há coisas em que só cabe a simplicidade de dizer uma verdade (sei lá se apenas do momento - deixará, o momento, de revelar verdades? ) sem renunciar àquilo que somos. Há coisas que não devem deixar de ser ditas com base na crença de que o outro perceberá o que nem nós percebemos.
Por mais que as palavras certas possam ser escolhidas para atribuírem um significado singular a algo, o que importa é que as formas, às vezes, não significam nada. Nada. E "palavras são só palavras", tal como pensamentos são só complicações racionais sob as vestes cor-de-rosa de remédio eficaz. Fará sempre parte da nossa vontade percebê-las pela sua penumbra ou pela sua claridade.
No fundo, é isso: deixemos os formalismos e as intelectualidades. O mundo não é linear e as certezas que o pensamento nos envia são falsificáveis. A vida não combina com verdades simples caladas. Mas, sorrindo sorrateiramente entre claridades, calemos as penumbras... sem deixar de perceber que calar não é deixar de ver: é irrelevar.



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