sábado, 11 de abril de 2015

Os olhares respondem calidamente
quando silenciosamente os procuro.
Os meus olhos perdem-se no que vêem,
nessa beleza do desprendimento.
Os olhares prendem as distancias que libertam
e a realidade esvai-se porque é só o que vemos.
E o que importa o que vemos se não for amor?





2 comentários:

  1. A apreciação é extremamente subjectiva, mas este é bem capaz de ser, para mim, obviamente, um dos teus melhores poemas. Pela linha (ainda mais) madura que nele se descortina, pelo aprumo das palavras, pelo tom sóbrio e leve... E, claro, pela interrogação final que instiga em quem lê um desassossego sadio, apanágio da boa poesia (embora também acredite e aprecie a poesia da imagem e do sentido, expurgada de inquietações). É um poema, parece-me, do 'centro do ser', composto num estado de quase testemunha dele próprio e do que o rodeia. A placidez do sentido é o aroma que melhor o reveste.
    Em suma, um óptimo trabalho. Gostei!
    Beijo.

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  2. Fico contente por achares isso. Este poema saiu de emoções escondidas naquilo que a liberdade do pensamento tantas vezes cala. Ao mesmo tempo, é sobre a capacidade incessante de colorir o mundo à minha volta. Talvez de idealizar um pouco. Como inconformista que sou, prefiro colar-me ao melhor da vida. E o melhor da vida são os bons sentimentos, a boa energia, a amizade, os sorrisos que, levemente, algumas presenças nos fazem soltar. E o resto (aquilo que é negro e que, por consciência, a inteligência ou a sensibilidade não deixam de captar), que fique guardado na cave daquilo que, por liberdade queremos irrelevar. O que me faz sorrir é a leveza e o entusiasmo, o sonho e a crença na impossibilidade, ainda que tenha o 'bom senso' de colocar um pé no chão. A vida é feita de histórias que são matérias-primas das palavras.

    Beijinho, Pedro. :)

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