terça-feira, 28 de abril de 2015

Ou não.
Por um meio que não formate o que nos individualiza.
Existe um 'eu' além do 'outro'. E dizer isto não equivale a defender qualquer tipo de individualismo: individuação e individualismo são coisas inequivocamente distintas, do mesmo modo que o processo de individuação não afasta necessariamente qualquer tipo de solidariedade (ou fraternidade).
Todavia, a individuação pede tolerância a um mundo de diferenças, porque toda a gente tem 'algo a mais'. E a forma como vemos o 'algo a mais' altera o vislumbre antitético do problema/solução: se vislumbrarmos esse 'algo a mais' sob uma perspectiva sociológica, ou o integramos naquilo que é valorizado pelas tendências subjectivas (talvez com traços socialmente construídos ou subconscientemente incutidos) dos elementos de determinado aglomerado de pessoas, esse algo a mais não existe por si só porque depende de um assentimento favorável do grupo; se o vislumbrarmos sob um ponto de vista puramente subjectivo (acreditando que existe um processo de individuação do indivíduo face ao dominantemente aceite como 'bom' ou 'ideal'), esse 'algo a mais' existe de forma autónoma e, na medida em que não depende da aceitação dos outros, será valorizado pelo próprio sujeito (que se sente bem consigo mesmo) e por outras pessoas (que se identifiquem ou apreciem aquele 'algo a mais'). A apreciação pelas outras pessoas pode levar ao surgimento de um desejo de proximidade que pode (ou não) evoluir e originar um novo grupo.
Assim, nem tudo o que existe no 'eu' é socialmente construído, do mesmo modo que nem tudo o que é subjetivamente desejável é o dominantemente (ou socialmente) aceite. E se não for assim, deixo de acreditar em conceitos como 'vontade autónoma' ou 'liberdade'.

* E danem-se as teorizações racionais acerca daquilo que existe independentemente das palavras que se usem para lhe atribuir significância: as significâncias não têm de navegar em marés de palavras, sob pena de vaguearmos em formalismos desgastadores.
Além disso, o que tem piada é quebrar as teorias (sérias e tantas vezes ridículas) que tentam explicar o inexplicável e impingem às pessoas impossibilidades de todo o tipo: ideologias castradoras.
Não conheço raios de liberdade que se prendam a impossibilidades existenciais.
E quero lá saber se defender a liberdade é mainstream. ;)



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