terça-feira, 12 de maio de 2015

Antes de, sequer, se falar em liberdade de expressão, dever-se-ia falar na liberdade de pensamento. E deveria falar-se disso, porque vivemos num tempo em que se vendem verdades e se impingem absurdos com a mesma frequência com que respiramos. E o pior é que as pessoas se acomodam e aderem por osmose a essas verdades inverosímeis, que castram outras hipóteses e outros horizontes. Inquieta-me a proibição de o ser humano não poder expressar-se de forma livre, mas sufoca-me a castração de ideias, com base em conceitos socialmente construídos. E a beleza disto tudo está no facto de que aquilo que eu penso é só aquilo que eu penso: isso tranquiliza-me. Não obstante, não me impinjam razões desargumentadas (ou com base em falácias formais), porque vou ser educada e discordar, nem fechem a mente àquilo que não conhecem: o desconhecido assusta qualquer um, mas a razão - além dos dogmatismos que deveriam ter repousado na 'idade das trevas' - está em permanente construção. E toda a racionalidade tem as suas fragilidades. Por isso é que sabe bem fugir da razão e lidar com aqueles que buscam outros horizontes, em que a sabedoria ultrapassa o conhecimento e em que a imaginação cria soluções além do conhecido. No fundo, o que quis dizer é que defendo um mundo em que a liberdade comece no pensamento, em que cada um tenha uma voz. E que digam, podem fazê-lo, que isto é uma ridicularidade: a crítica melhora os argumentos e avulta percepções; a crítica é a constituenda tentativa (aludindo a Popper), no caminho da falsificação. E, depois, venha a capacidade desenvencilhadora de quem defende para corroborar. Mas que seja porque 'é' e não por vaidade ou orgulho intelectual. No fundo, andam, por aí, com base em racionalidades, tantas vezes obsoletas, a tentar convencer os outros de que aquilo que defendem faz sentido. No fundo, é tudo uma espécie de avultação do ego em nome da razão. E as mentes conflituam, sem saber, e, porque querem aceitação, detestam pontos de resistência. E isto vale tanto para a academia como para a vida quotidiana: há conflitos de vontades a cada segundo que passa. Vontades e mentes: sem aquela liberdade de pensamento, só há caminhos de submissão em linha recta. 


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