quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Entreolharam-se como quem antevê a certeza da univocidade centrípeta com que as as almas se esbatem e se encolhem ou expandem por aí. Entreolharam-se na adequabilidade racional ante os essencialismos perceptíveis de energias tendencialmente imutáveis. Sem dominadores ou dominados, fizeram com que a tolerância prevalecesse sobre a reprovabilidade de uma moral que morreu. Não se perderam em relativismos nem se encantaram com as certezas imperativamente imperfeitas de uma razão sempre incompleta. Foram "além do bem e do mal", mas esqueceram-se que existe uma causa e efeito numa ética do absoluto em que o tempo é relativo. Talvez o olhar tenha despoletado uma qualquer lembrança vaga: eram companheiros de viagem sem saber. 

2 comentários:

  1. Enigmático, o teu texto... Pelo menos, dessa forma a 'este lado' ele chegou. Porém, é certamente essa aura de mistério que lhe confere uma beleza peculiar - confirmada pelas derradeiras palavras do mesmo, as que sopram um pouco a neblina envolta nas palavras. Assumido o estilo, é de prazerosa leitura (apesar de breve). Principalmente pelo instante que parece captar... Tão célere, mas tão significativo - como a sua dissecação por palavras aparenta concluir. Levou-me (e aqui, claro, a sensação é pessoal) ao momento onde além dos corpos as almas parecem reconhecer-se, aquando o encontro de ambos. Algo metafísico, o parecer... eheh Mas foi essa a imagem que ficou.
    Beijos.

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  2. Sim, Pedro, este texto surgiu do enigma da existência de consciências que se encontram ligadas, inconscientemente. É sobre paradoxos; sobre ligações que, perpetuadas, são presencialmente curtas. Fala desse reconhecimento efémero, que logo se perde, por imperatividades de escolhas. Sem dúvida, algo perdido entre a metafísica e a concreticidade de uma existência que deflui à medida que outros (re)conhecimentos se insurgirão, com certeza. Beijos :)

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