sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Irrompe no tempo
o descalabro incompreensível
dos olhares que trocamos.
Doem as palavras soltas
e corroem as prendidas.
O amor, cheio de graciosidade,
torna as amarguras esquecidas:
memórias sem validade.
E que me diga o tempo o indizível,
em verdades impiedosas.
As palavras, ante o infinito, são desastrosas.
O horizonte amplia placidamente o intraduzível
e, no absoluto, as almas vagueiam, caridosas. 

2 comentários:

  1. Um óptimo poema! Com aquele toque de brisa filosófica e o pulsar dos caminhantes que atravessam a estrada da existência sem ocultar o sentido daquilo que buscam. Perto, longe? Talvez ambos nunca tenham existido... Talvez o longe sempre estivesse perto. Não obstante o espinho das amarguras coleccionadas pelo caminho, o amor emerge como estrela cintilante, o 'eterno salvador'. Torna a caminhada novamente possível, a cada queda. Lava os olhos e o coração, aparta a cortina entre o efémero e o infinito. Sim, diante dele nenhuma palavra tem poder... Todo o gesto se torna fútil. Ele é o Todo onde o ser, enfim, se fundirá. Só silêncio sobeja.
    Tudo isto num pequeno poema que, ainda para mais, se permitiu polvilhar por uma rima harmoniosa. Como não apreciá-lo?? Não tenho um copo à mão para brindar, por isso... brindo com um sorriso. Sem que isso seja um «descalabro incompreensível» =)
    Beijos. Gostei de ler.

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  2. Um perto que se tornou longe, mas uma distância que, paradoxalmente, os deixa perto. Não sabemos nada da fenomenologia do real. Achamos que sabemos, mas tropeçamos na eternidade de uns minutos que tudo mudam, em que o pasmo essencial ecoa, em que nos (re)definimos. Na ética do absoluto, além do plano da mera circunstância, as afinidades eclodem sem tempo ou espaço. E, mais uma vez - negando todo e qualquer determinismo por alguém que lê para se conhecer e desprender da ignorância que nos aprisiona -, o que importa é a liberdade de ser e a razão que edifica um querer com bases e asas de um domínio que a supera. Um beijo, Pedro! :)

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