sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Não sei se foram os olhos ou a inadvertência da razão. Foi o brilho que reconheci sem, aparentemente, conhecer. Foram as boas lembranças que a memória reavivou. Foi o que ainda não sei, mas que descobrirei, porque a realidade cuida de se ampliar à medida em que nos deixamos embeber em nós. Somos a resposta, no singular. Por mais que o passado fascine, somos uma eterna história por escrever. Esquecer-me-ei de ti, como de todos, mas rápido nos (re)encontraremos. Os que se querem bem estão destinados a um reencontro, por mais que demore. No fundo, somos eternas pedras em lapidação, que só se aquietam com a mesma tonalidade musical. E isso só é (re)cognoscível no momento em que a exteriorização, biunivocamente perceptível, ocorre. Talvez seja por isso que dou as mãos à transparência e que tento fugir das dissonâncias: um si bemol será sempre um si bemol...e meio tom pode colocar em cheque a melodia harmoniosa que se quer.

Alma Salgueiro

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