terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Tenho um sério não-problema:
sorriso crónico
a cada manifestação de beleza.
Dessa que não se vê.

By Mary
Contemplação é isto:
sentir-me grata
enquanto ouço o chilrear
dos pássaros
e o vento agitar as flores
amareladas
entre o que restou do verde
que o outono ainda não levou.

By Mary
Escrevo para me entender.
Ou tentar.
Talvez só pela libertação.
A razão nada sabe
e de tudo duvida.
Os sentidos são outra coisa.

By Mary

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Intuitivos são aqueles
que vivem para dentro.
A intuição vem
do choque da libertação.
O olhar claro anda
longe
das ilusões neptunianas.

By Mary
A profundidade é
transformadora.
Não pedimos por ela:
nasce connosco.
E permanece em um cantinho
qualquer.
Num desses cantos invioláveis
que dão sentido
à existência e que nos fazem perceber
o melhor e o pior.
Anda de mãos dadas
com a sinceridade. Às vezes
alegra-nos, transborda amor. Outras
leva-nos à reflexão solitária.
De nós para nós.
Numa viagem para dentro.
Quebra o 'go with the flow'.
Ajuda-nos a perceber o que somos,
o que queremos, o que precisamos.
E nunca o que leva a isso é material.
É uma benção e maldição,
que nos leva a rever a forma como
vemos o mundo, os valores e o amor.
Quebra a rigidez dos imperativos.
Ajuda-nos, até, a tolerar.
De vez em quando,
até pode parecer que ela foi embora,
mas está sempre lá. Não desaparece.
Dita morte e renascimento.
E só deixa o que estiver
em consonância com ela.
Uma consonância independente.
É filtro. A dependência oprime,
manipula, joga. E a profundidade
foge. É a intensidade, na paz que quer paz.
Por isso é seletiva em quem
deixa entrar ou permanecer.
O que entra é uma
consonância supra material qualquer.
Dessas que a normalidade nem sempre percebe.
Se dessemos essa intensidade a todos
com que nos cruzamos acabaríamos
sem energia, sem vontade própria,
como seres vulneráveis que não somos.
A fazer e a ser tudo aquilo que gostariam
que fossemos, mas que não somos.
E só o que somos nos faz felizes.
Ser 'capitão da nossa própria alma'
tem muito que se lhe diga.
Mas é infinitamente melhor
do que a insatisfação crónica.

By Mary



Sou dessas que é feliz
em dias quentes,
ao por do sol.
Dessas que dançam mentalmente
com a música que não se ouve.
A que adivinho nas pequenas coisas.

By Mary

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Parece paradoxo
um poeta escrever
que há coisas imateriais
que valem mais do que palavras.
E que elas têm
mais significado
umas vezes do que outras.
Parece sem sentido,
mas tem mais sentido
do que as repetições
banais e automáticas.
O que é verdadeiro
sempre resiste.
As palavras sinceras
saem, às vezes,
sempre dos sentidos.
As outras fazem
de mim
uma analfabeta.
E neste sem sentido
e sem as rimas
do bonitinho
já disse mais do que adivinho
quando os olhos afastam ou
abraçam.
A amizade é gene que, sem dominar,
é dominante.
E não cede a dúvidas cartesianas.

By Mary

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Aqui sentada no nada que me
aquece e disfere para lá do longínquo.
Aqui nesta pequena comodidade
que faz de mim uma privilegiada
improvável neste mundo de leis da
determinação (in)certa.
O que hei-de dizer quando
as palavras acabarem
por desgastar o que nunca disse?
O que deixarei morrer dentro
de mim, por entreter a razão com
outras coisas: imposições livres
de causa. Sei lá. Perco-me em
silogismos. Percebo sentidos em
irracionalidades intuitivas. E sei
que me entrego ao caos porque a
ordem está, mais certinha do que
gostaria, dentro de mim.

By Mary 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Soltei tudo.
Abri a palma da mão.
A paz não se constrói
com nós no coração.

By Mary
A comunicação
e a linguagem são
sempre dúbias
quanto ao sentido original.
Incitam fome de presença.
O corpo fala
mais
do que as palavras.

By Mary

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Há qualquer coisa no nascer do sol.
Um cheiro de infância.
Um timbre de esperança.
Um sorriso aberto.
Luz ascendente,
despreocupada com o zénite.
Há qualquer coisa,
qualquer magia.
O poente é tranquilidade:
anestesia e poesia.
O nascente é simplicidade:
é alegria.

By Mary

*Enquanto via o nascer do sol na varanda do quarto, após uma noite de estudo.

sábado, 1 de outubro de 2016

Poderia dizer-te tudo,
que ainda sobrariam
coisas por dizer.
Há coisas que nem eu sei.
Ou que talvez saiba,
sem saber.
Inconsciente palpitante.

By Mary

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A leveza de um sentimento
que, assim,
devagarinho
me trouxe contentamento.
Que despertou, em mim
o carinho
que afasta o mau pensamento.
A leveza,
sem data de ida,
de uma amizade para a vida.

By Mary

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

sábado, 24 de setembro de 2016

Às vezes penso
que os 'recados do universo'
(e talvez...
 o brilho dos teus olhos)
têm qualquer toque de magia.

By Mary

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Se o universo me presentear
com um amor definido e concreto
além deste, humanamente abstrato,
que em mim transborda,
que seja informal e verdadeiro,
mais companheiro de aventura existencial
do que a concretização de um mero estado formal.
E que as palavras bonitinhas sejam sinceras
e que venham acompanhadas de espontaneidade,
ou que não cheguem a existir,
só porque fica bem
ou tornariam as coisas mais fáceis,
porque tenho um sensor que distingue o conteúdo
dos vazios que o ego costuma ouvir.
A beleza tem que vir de dentro
e fazer os olhos transbordar de brilho
ou fazer um simples abraço valer o mundo.
Ou então que não venha.
Esta sensação abstrata é tão boa:
tem o sabor da liberdade,
da paz e do infinito.´

By Mary

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Se for para relativizar,
que seja para perdoar
quem sempre,
deliberadamente,
nos quis enganar.
Se for para relativizar,
que seja por algo evidente:
não apequenar
a vida
ao desejo doente
de quem quer ser amado
e reduzi-la
a projetar o malfadado
sob a égide de amar.
Se for para relativizar,
que seja para a amizade durar;
para não se acabar com a esperança,
os passos se tornarem dança
e a consciência descansar.
Se for para relativizar,
que seja para a luz perdurar.

By Mary

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Às vezes, acho que atraio histórias, de fundo emotivo, daqueles que, de alguma forma, cambalearam pelas emoções da vida. No fundo, acho que incentivo o fluir dessas conversas: espero sempre por finais felizes e histórias de amor. 
De vez em quando, lá as ouço enquanto rejubilo e fico com esperança no mundo. Outras vezes, fico presa a filosofias ante as descrições fáticas, atribuladas ou desprovidas de sentidos românticos. Numa destas noites, em que o calor dos dias não abandona os locais com a ida da claridade, ouvi a história de vida de um senhor. 
Aparentemente, queria contar-me a sua 'história de amor' ou, melhor, a forma como conheceu a sua esposa, mãe dos filhos, com quem constituiu família e, acima de tudo, companheira existencial nestas 'coisas da vida'. Não obstante o meu entusiasmo inicial (apreciável pelas minhas perguntas centradas, enquanto as velhas memórias do senhor o desencaminhavam de sentido), fiquei muito triste ao perceber que não era uma história de amor: era um conjunto de acasos, pressões familiares e circunstancialismos. 
Apreciei, sobretudo, a sinceridade com que o senhor admitiu que, à primeira impressão, nem achou a esposa bonita ou encantadora de alguma forma que supere o mundo das aparências: resolveu, depois, por acaso ou falta de opção, enviar-lhe uma carta que fora correspondida. Mantiveram a conversa e resolveu casar com ela com base nas pressões referidas. Disse que, para a altura, já casou tarde. 
Na verdade, vi nele mais entusiasmo enquanto me contava acerca das aventuras que viveu em viagens pelo centro da Europa, enfatizando os pormenores de, dentre as quais ressaltava uma noite de aventura dormida na rua, em uma praça de Amesterdão, do que na forma como resolveu casar. Havia, notoriamente, falta de paixão e de afinidade anímica. O resto da história ficou por ali. E eu fiquei introvertidamente reflexiva: não havia mais conteúdo, além de mecanicidades humanas em nome do 'dever ser'. Confesso que, nesse dia, fui dormir desiludida. Acho que percebi que o amor, em que acredito, talvez seja uma flor rara. 
Para complementar, passados uns dias, enquanto passeava pela rua, encontrei outro senhor, velho conhecido. Perguntou-me se tinha namorado e aproveitou o sentido da conversa para me falar de velhos amores, de paixões antigas, enquanto o ouvia atenciosamente, não fosse aquilo tirar-me o pessimismo da conversa anterior. 
Não obstante, acabei por perceber que, muito embora o problema fosse diferente (o senhor parecia ter tido um passado de excessos de paixões, tão profundas que ainda ressoavam na forma como proferia os nomes ou aludia a aspetos desse passado longínquo), percebi como o orgulho ou o ego o impediram de ser feliz com a mulher que realmente amava, com quem não casou e que, devido a outros pormenores, nunca mais viu. Confesso que dava para perceber na entoação a saudade ou qualquer coisa de arrependimento. Fiquei com a sensação de que é uma dessas pessoas que segue sempre em frente e, não querendo olhar para trás, casou com alguém de quem embora goste (pela construção das pequenas coisas do quotidiano), nunca amou daquela forma em que o olhar brilha. 
Quanto a mim, fiquei novamente reflexiva. Perdi-me em filosofias: lá recaí na minha ideia de que o amor é livre e espontâneo, que não se artificializa. E, no meio de tantas racionalidades, que levam a infelicidades (constantes nos olhares de quem conta estas histórias), a conclusão, para mim é simples: 'follow your heart'. Always. Love is more than desire.  

By Mary

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O azul
encontra a maresia.
Os sentidos são miragem:
inspiração.
O sol reflete-se
por toda a parte.
E a perfeição
da natureza,
e da brisa que se sente,
transpira liberdade.

By Mary

Ericeira, praia dos pescadores, 25/08/2016.


Aqui,
onde a natureza é poesia
que (nos dias de neblina)
se funde com o misticismo
e com os mistérios da existência,
há qualquer coisa
de paz e inspiração.
Aqui,
neste pedaço de serra
adornado pelo verdejar
das árvores,
há qualquer coisa supra-material.
Aqui,
neste monte da lua,
sinto qualquer coisa especial.

By Mary

Serra de Sintra, 24/08/2016

Às vezes penso que o excesso de liberdade é qualquer coisa de paz. Qualquer coisa de fuga ao concreto, ao imperfeito. Qualquer coisa de amor pelo ideal, pelo impossível. Nunca o possível, concreto, aqui ao lado, me arrebatou a alma.


By Mary 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ela não compete com ninguém:
Tem demasiado amor no coração.
Só quer perder-se na imensidão
das coisas boas da vida.
Só quer dançar até não poder mais
e abraçar pessoas sem data de ida.
Quer sorrir até doer a barriga,
acreditar na amizade,
enviar boas energias para o universo
e sentir-se livre de opressões.
Precisa de liberdade para ser ela mesma.
Quem gostar dela será por imaterialidades.
Por 'pequenos nadas'.
Talvez pelo coração e pela sensibilidade
que, por mais que tente, nunca esconde.
Por essas coisas em que não se manda
e que dão sentido à existência.
Mas que não seja pela inteligência
ou essas coisas da razão,
que tudo deturpam.
Por mais que goste,
cansa-se dos intelectuais
e das lógicas consequencialistas, que finge não perceber.
A poesia é um bichinho de amor incondicional.
Vai amando as pessoas com quem se cruza.
Tem esse defeito de nascença.
Às vezes, sucumbe por isso.
Mas logo renasce.
Volta como se nunca se tivesse magoado.
Com as mesmas lentes cor-de-rosa,
em que a maldade não entra.
Fica feliz por quase nada.
E agradece ao universo por tudo de bom que lhe envia.
Ela não quer ser melhor do que ninguém.
Não quer competir com ninguém.
Não quer provar nada a alguém.
Só quer alegria, paz e amor.
Quem gostar dela, não será pela aparência.
Ou ela fugirá, porque isso é condenado ao fracasso.
Ao vazio.
Quem gostar dela será por minudências.
Pelos 'pequenos nadas' de sentido em que a razão não entra.
Por algo substancial.
De contrário, ela continuará a sorrir.
E fugirá.
Também é feliz sozinha.
Na sua paz.

By Mary

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sensacionismo exacerbado.
Olhares e palavras cruzadas
em silêncios
e sentidos desapossados.
Tatuados.
Em almas.

by Mary
Palavras sem o toque
de inteligência
dos arautos da razão,
que aqui
e ali
se embelezam
com hipérboles.
Fico-me pela sua ausência:
metade do meu <3 ficou aí.

By Mary

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Os pseudo escritores têm manias estranhas. De vez em quando sento, peço um café, abro o meu caderninho e escrevo o que se passa à minha volta.
Hoje escrevi sobre Isabela, uma linda cachorrinha Golden, que frequenta a padaria aqui à frente de casa. Já me cruzei com ela umas vezes e, sempre que a vejo, não consigo não sorrir por nada. Além de linda ela é elegante, de olhar doce e muito bem comportada. Pertence a um rapaz misterioso que parece não estar nem aí para nada nem ninguém, a não ser para a Isabela e para as páginas da Folha de São Paulo. Todos os dias tomam o café da manhã na padaria, enquanto as outras pessoas se encontram em horário de almoço. Depois, o rapaz fuma um cigarro no banquinho da saída, enquanto termina de ler o jornal, e Isabela espalha charme e fomenta os sorrisos de quem passa.

Sampa,
13/07/2016

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Qualquer coisa de incondicional.
Qualquer coisa de fusão,
de totalidade, de paz e abstração.
Momentos de mente quieta
e outros de multidão.
E pedaços de tempo como este,
em que qualquer coisa despe,
de mim para mim,
uma sensibilidade em construção.

By M.


terça-feira, 31 de maio de 2016

Quando sinto, sinto muito.
Mas passo a imagem extrovertida,
que não sou 'eu' introvertida,
sem ter esse intuito.
Talvez, por isso, não veja maldade
no que aos outros parece evidência:
quando falo é com sinceridade
e nessas horas não tenho eloquência.
Talvez o meu jeito crie muros
que protegem as minhas verdades
e deixam os outros inseguros.
E, no fundo, espero sempre
que alguém consiga ver além da aparência.

by M. 
Agrada-me o original. A espontaneidade daquelas pessoas que têm a capacidade de trazer o novo sem ter que mudar de espaço. Que nos façam viajar, ainda que o corpo permaneça no mesmo local. Porque viajar é levar o corpo para uma nova realidade concreta. Mas é uma realidade de curta duração. Passa. E, no fim, tudo volta ao mesmo. Daí que seja muito fácil alguém viciar-se na sensação que uma viagem possa propiciar. Mas as pessoas que inventam, trazem as viagens da mente, do espírito, do etéreo sobre o concreto, são uma eterna novidade por descobrir. Trazem sempre qualquer coisa muito além do banal; qualquer coisa que brilha, na aparente pacificidade em que borbulham emoções abstratas. E talvez aí, em contraste com a liberdade que exalam, o absurdo prenda.

By Mary
Cansa-me o concreto. Quero sempre a abstração ou a congeminação de ideias por inventar. No fundo, quero sempre a razão no caos: é sempre lá que me encontro. O certinho e a ciência fazem parte dos anseios do intelecto, mas entediam a alma, que quer sempre o que acrescenta qualquer coisa à existência, sem medos ou adequações. E existir é assumir o risco de vaguear e ter que morrer para renascer, enquanto se reformulam naturalmente 'essas coisas do eu', das ideias e da essência que carregamos. Filosofar, de mim para mim, sem qualquer substância além da natural adrenalina de pensar, ou não pensar, e simplesmente deixar fluir. E a existência traz sempre a terrível mania de doação ao momento, sem fracções existenciais de ausência anímica. Nesses momentos, o sorriso carrega o peso da leveza ausente de razões inventadas. Talvez seja fuga. Mas é essa abstração que pacifica e liberta.

By Mary

domingo, 29 de maio de 2016

O maior problema
da minha existência
chama-se transparência
e não tem solução.

by m. ;)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Liberdade de 'ser'
sem rotular
ou julgar mesquinhamente
quem quer que seja;
de voar
entre o concreto
e o abstrato...
e ser o que se quiser
em hipótese.

By Mary :)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Queria uma mente
recortada,
linear, polida, aparada,
e não sentir tudo intensamente.
Inequivocamente,
seria melhor não sentir nada.

By Mary

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sons misturados,
almas leves
e o interior inexplicável
do sentir ao tocar a abstração:
espontaneidades ondeantes
em corpos receptivos
a ritmos e batuques
em que os sentidos se expandem
em simbiose perfeita
com a perfeição da natureza.

*Algures no Parque Ibirapuera, na 'virada zen'.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sobre o nordeste brasileiro, escrevi este rascunho, algures em uma cadeira de praia:

Apaixonada por um povo com sotaque divertido e palavras amorosas, música deliciosa, ondas amenas, paisagem ímpar, sensibilidades artísticas, sorrisos ricos em alma, olhares dançantes e intuições risonhas.

By Mary :)
Poesia largada
nas ondas
de matizes coloridas,
convertidas
em pensamentos
mais ensolarados
do que o sol que batia.

By Mary ;)
Parte de mim é indecisa
a outra detesta indecisão.
Uma é poetisa,
a outra determinação.
A parte maior
é descomplicação
e a menor,
contemplação.
Uma parte é leveza,
abstração,
com traços de delicadeza.
A outra parte é crítica,
cáustica,
agressivamente política.
Uma parte é razão e controle
a outra emoção e hipérbole.
De vez em quando
juntam-se e dançam alegria,
simplificando
os males de cada dia.

By Mary ;)

domingo, 24 de abril de 2016

Águas verdes,
límpidas,
como a esperança
que trago por dentro:
profundidade 
e mistérios 
que ondeiam
e transbordam
sonhos e magia.

<3 By Mary

*Praia de Hibiscus, Maceió.
Quando tudo é poesia:
beleza extrema
concentrada,
convolada,
na miragem de um dia.

By Mary <3

domingo, 3 de abril de 2016

Poemas:
paradoxos de publicações intimistas ou da exteriorização racionalizada de emoções que não cabem no silêncio nem na publicidade de um tempo concreto.

By Mary

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O que escrevo
sai de mim
como uma borboleta
esvoaçante
no luar de uma noite estrelada.
Como vem?
Porque vem?
Sei lá!
Talvez da energia
que em mim ondeia
ou da que me rodeia
e me faz companhia
na solidão de um pedaço do dia.
Energia intensa que não freia
o que a razão, tiranamente,  oprimia.

Maria Vaz
Irrefletido
sentido
efémero
de nuances
inabdicáveis
ou
refletido
sentido
eterno
de verdades
indecifráveis:
Insignificâncias
significantes
deambulam
e sorriem,
por aí.

Alma Salgueiro


A emoção que me esmaga
é a mesma que me afaga
nas noites sem luz
em que nada me seduz.
Revolve-me
e devolve-me,
fortalecendo a raiz
e aniquilando o infeliz
desses sentimentos
que foram pedras
idealizantes do que eras:
seleção de momentos
em folhas traídas pelo tempo.

by Mary

sábado, 5 de março de 2016

sexta-feira, 4 de março de 2016

O idealismo
é uma forma
de egoísmo
que deforma
a realidade:
beleza
abstrata
na pobreza
concreta.

Maria Vaz

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A calma,
A pacatez,
A perversidade do silêncio.
A paz que, do nada, desponta
iluminando, por dentro,
escuridões existenciais.
A fugacidade de um pensamento
que se solta
e volta acrescido
pelo brilho dos teus olhos
além de um mundo de podridão.
O desconhecimento inquisitivo
daquilo que, em ti, é convicção.
A penetração desse olhar oblíquo
por entre as inquietações disfarçadas
de alguém que se deixa culminar pela imaginação:
Dançante em nuvens de saudade.

Alma Salgueiro


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Liberdade de ser tudo
e tão pouco
e irrelevar quase tudo,
tornando-o quase nada.
Liberdade de sobrevoar
pela vida
como quem divaga
ou como quem flutua
em um lago de água cristalina
embelezado por nenúfares
e rodeado de árvores
esverdeadas com toques carmim,
em um solo adornado de malmequeres
e rosas brancas.
Liberdade de ser,
sem ligar a julgamentos
de fundamentos duvidosos,
amedrontados por uma qualquer
insegurança existencial
que degenera a beleza essencial.
Liberdade de ter paz
e de rir como quem deambula
por uma estradinha de terra
com cheiro de chuva,
em lugares simples
rodeados de pessoas
de coração gigante.
Liberdade de dar opinião,
mas jamais sacralizá-la
ou torná-la a única certa
e ficar feliz enquanto se dialoga na diferença
na esperança de um mundo melhor.
Liberdade de dar espaço,
de dar tempo,
de ter paciência,
independência,
de não interferir na vontade
dos que nos rodeiam.
Liberdade de aceitar as decisões dos outros,
mesmo que elas nos aniquilem,
em palavras baixinhas
ou silêncios gritantes
a expectativa e o coração.
Liberdade de agir ou reagir,
ou silenciar,
de fazer ou não fazer,
por compulsão ou intuição
o que o coração não deixa calar.
Liberdade de ser espontânea
em um mundo castrado pela razão.
E sorrir,
como o girassol
que se fecha à escuridão
e se abre para a luz.

By Mary

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As nossas essências colidiram
algures em um tempo distante.
Não somos mais do que assimilações
de causalidades perdidas no caos.
Despertamos tonalidades vagas
em almas anestesiadas pelo banal.
De vez em quando,
encontramos brilho na complexidade do mistério,
enquanto rejubilamos no meio do vácuo.
E cintilamos como uma supernova
prestes a eclodir.

By Mary

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016


E se a vida me trouxer melancolia,

escreverei até me cansar,

até a transmutar em alegria. 


By Mary ;)



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Por mais que a aparência evidencie formas
a essência esconde sempre significâncias perdidas
na evolução de um tempo
que apaga aos outros
dimensões ocultas do nosso 'eu'.

Alma Salgueiro
A verdade é que existem circunstancialismos na vida que, por algo supra racional, nos podem deixar com o pensamento viciado ou com as emoções atribuladas. E isso dura até que chegue uma rajada cortante de razão, que nos faz perceber o quão ridículas as emoções nos podem deixar. Assumo isso e acho-o tão natural como a leveza de um amanhecer que se segue, gerando um novo ciclo. Sentir é sinal de humanidade.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A vontade é eterno mistério da volubilidade insusceptível de juízos de prognose em linha reta acerca da nossa vida. 
Afinal: o que é a vontade? Seja ela livre ou determinada: qual é a sua origem? O que a alimenta? E o que é que a faz cessar? 
Não sabemos nada e agimos como se soubéssemos ou como se conseguíssemos colocar ordem, através da razão, em um mundo de reminiscencias emocionais que, pela sua inexplicabilidade, pertencerá sempre ao reino do caos. 

By Mary






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A loucura
cura
a razão doente.

Maria Vaz


Mais do que água e moléculas de carbono
ou do que títulos e experiências no caminho do 'status',
que talvez despreze.
Mais do que as certezas e seguranças
e do que as linhas retas
encobertas dos 'moralismos' que rejeita.
Mais do que a ordem,
de que vai fugindo pela liberdade de se pertencer.
Mais do que impulsos eléctricos entre sinapses
que geram mais intuições do que silogismos.
Ela acredita que a liberdade está no 'caos' de 'ser'
e só quer o que a faz sentir em sintonia
com o que transborda invisivelmente,
por dentro,
em tons calma e misteriosamente
coloridos de intensidade.

Alma Salgueiro

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Biologicamente, ouvimos desde os primórdios escolares que somos seres que nascem para se reproduzir e morrer, não obstante a existência de uma história pelo meio.

Se formos pelo 'empirismo científico', a morte é uma perda em que se degenera a matéria e, com ela, supostamente tudo o que somos e que nos distingue de forma notória.

Psicologicamente, ouvimos o debate que se trava com a sociologia e se discute se tendemos a um determinado tipo de personalidade inata ou se não passamos de uma amálgama de assimilações exógenas dos meios em que vamos deambulando.

Animicamente, havendo inúmeros estudos acerca daquilo que seja a consciência, a verdade é que ninguém sabe muito bem o que a gera e como se expande, tal como nunca se soube muito bem se a verdade é subjetiva ou objetiva (o problema da fenomenologia do conhecimento).

Ultimamente têm falecido muitas pessoas famosas - artistas - e, em boa verdade, um artista é sempre alguém que se distingue ou que traz algo carismático e único à vida, que lhe confere brilho e individuação do meio. São pessoas que, mesmo sem querer, despertam algo nos outros, na vida em sociedade, seja pela instigação da alegria, da transmutação da melancolia em arte ou pela luta por uma evolução social (seja ela mais focada na igualdade, na liberdade ou na dignidade humana). A obra dessas pessoas nunca morre, porque transcende a matéria.


Resumindo: o que somos também não a transcende? Será que nos reduzimos a uma atividade cerebral em que, mecanicamente, um 'coração' sem sentimentos bombeia o sangue entre artérias e veias como se a vida se resumisse a existir por existir, entregue a um conjunto de acasos? Será que o que anima o meu corpo são apenas impulsos elétricos que ativam e ligam sinapses que me 'decidem'? Ou será que alguém sabe como nasce a 'vontade' de algo, essa metafísica que precede qualquer a ação? E não será que a liberdade, esse conceito tão amplo e denso e sempre por esgotar, envolve a metafísica com a razão (que também nos distingue) e pode contrariar qualquer tendência endógena ou exógena, funcionando em uma certa linguagem do 'senso comum' como uma espécie de consciência que nos liberta o 'espírito' das tendências mais primitivas ou animalescas que residem no nosso inconsciente (chamem-lhe isso ou ID, se quiserem)?

Ficam várias questões: será que fica apenas a obra material que o espírito concretizou na matéria ou naquilo que os cabalistas apelidam de 'reino de Malkut'? Ou será que a nossa energia e o nosso magnetismo pessoal sobrevivem à transformação da matéria e vivem a relatividade de um tempo/espaço indo ao encontro, não dos velhos princípios da física teórica, mas da já não tão recente 'física quântica'?
Talvez esteja na hora - independentemente de qualquer plano unívoco dos limites das crenças que criamos ou que nos são incutidas socialmente (como os dogmatismos religiosos) -, de se quebrarem paradigmas falsificados mas entranhados. E que se inicie um novo diálogo acerca do 'espírito', do 'ser', da 'metafísica da vontade' e das 'influências restritivas ou expansivas do meio', da epistemologia, do perecimento do 'método empírico' e da urgente redefinição daquilo que entendemos por 'essencialismo' e por 'existencialismo'.

*Inquietações matinais de alguém que acha que é tempo de se expandir a mente. 






 smi
le emoticon

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Façam-me um favor:
Não calem o sorriso
pelo 'dever ser' obsoleto
de um bom humor contido.
E que o inconveniente
seja a tentativa persistente
de um ser nunca oprimido.


Uma amiga disse-me: "pensei que as nossas almas fossem desassossegadas".
Eu respondi:

Claro que são (criativamente) desassossegadas. Mas há desassossegos e desassossegos. Desassossega-me a incompreensão da totalidade do universo, a tentativa de percepção da origem das coisas ou o preconceito, que é das mais vis formas de injustiça. Desassossegam-me a fenomenologia das emoções e as percepções acaloradas ou repentinas que a razão esconde. Desassossegam-me positivamente as coisas boas da vida. Desassossega-me a intensidade de pequenos nadas sentidos, cuja veracidade não consigo passar para o papel...ou os abraços interditos pelas distâncias supra territoriais. Mas esse desassossego não desassossega negativamente quem quer que seja: não tem pretensões de envenenamento, controlo ou diminuição do outro.
Ser sem restrições pode ser em prol do melhor que a vida tem para nos oferecer, seja isso possível ou utopia para as mentes resignadas a normalidades tediosas. O incrível, o inusitado ou a luz além da nebulosidade do quotidiano são uma espécie de tempestade de rosas análoga à 'calmaria'.
A 'calmaria' é tudo menos anulação ontológica ou existencial: sejamos almas desassossegadamente felizes na calmaria tolerante que lhes permita brilhar a luz que trazem escondida, talvez por medo.
E deixemos brilhar desassossegadamente a 'estranheza boa' que trazemos por dentro. ;)




sábado, 2 de janeiro de 2016

A tranquilidade inundou-lhe os sentidos 
Ante o azul sem fim.
A brisa trazia-lhe liberdade 
Enquanto oscilava entre as ondas do cabelo
E o pensamento voava mais do que os pássaros deslumbrantes que estavam por ali.
O sol estava no zénite 
E a natureza batia-lhe no rosto com o infinito,
Como o alvorecer de claridade,
Como um doce afago de criança. 

Maria vaz