terça-feira, 31 de maio de 2016

Quando sinto, sinto muito.
Mas passo a imagem extrovertida,
que não sou 'eu' introvertida,
sem ter esse intuito.
Talvez, por isso, não veja maldade
no que aos outros parece evidência:
quando falo é com sinceridade
e nessas horas não tenho eloquência.
Talvez o meu jeito crie muros
que protegem as minhas verdades
e deixam os outros inseguros.
E, no fundo, espero sempre
que alguém consiga ver além da aparência.

by M. 
Agrada-me o original. A espontaneidade daquelas pessoas que têm a capacidade de trazer o novo sem ter que mudar de espaço. Que nos façam viajar, ainda que o corpo permaneça no mesmo local. Porque viajar é levar o corpo para uma nova realidade concreta. Mas é uma realidade de curta duração. Passa. E, no fim, tudo volta ao mesmo. Daí que seja muito fácil alguém viciar-se na sensação que uma viagem possa propiciar. Mas as pessoas que inventam, trazem as viagens da mente, do espírito, do etéreo sobre o concreto, são uma eterna novidade por descobrir. Trazem sempre qualquer coisa muito além do banal; qualquer coisa que brilha, na aparente pacificidade em que borbulham emoções abstratas. E talvez aí, em contraste com a liberdade que exalam, o absurdo prenda.

By Mary
Cansa-me o concreto. Quero sempre a abstração ou a congeminação de ideias por inventar. No fundo, quero sempre a razão no caos: é sempre lá que me encontro. O certinho e a ciência fazem parte dos anseios do intelecto, mas entediam a alma, que quer sempre o que acrescenta qualquer coisa à existência, sem medos ou adequações. E existir é assumir o risco de vaguear e ter que morrer para renascer, enquanto se reformulam naturalmente 'essas coisas do eu', das ideias e da essência que carregamos. Filosofar, de mim para mim, sem qualquer substância além da natural adrenalina de pensar, ou não pensar, e simplesmente deixar fluir. E a existência traz sempre a terrível mania de doação ao momento, sem fracções existenciais de ausência anímica. Nesses momentos, o sorriso carrega o peso da leveza ausente de razões inventadas. Talvez seja fuga. Mas é essa abstração que pacifica e liberta.

By Mary

domingo, 29 de maio de 2016

O maior problema
da minha existência
chama-se transparência
e não tem solução.

by m. ;)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Liberdade de 'ser'
sem rotular
ou julgar mesquinhamente
quem quer que seja;
de voar
entre o concreto
e o abstrato...
e ser o que se quiser
em hipótese.

By Mary :)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Queria uma mente
recortada,
linear, polida, aparada,
e não sentir tudo intensamente.
Inequivocamente,
seria melhor não sentir nada.

By Mary

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sons misturados,
almas leves
e o interior inexplicável
do sentir ao tocar a abstração:
espontaneidades ondeantes
em corpos receptivos
a ritmos e batuques
em que os sentidos se expandem
em simbiose perfeita
com a perfeição da natureza.

*Algures no Parque Ibirapuera, na 'virada zen'.