sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Se for para relativizar,
que seja para perdoar
quem sempre,
deliberadamente,
nos quis enganar.
Se for para relativizar,
que seja por algo evidente:
não apequenar
a vida
ao desejo doente
de quem quer ser amado
e reduzi-la
a projetar o malfadado
sob a égide de amar.
Se for para relativizar,
que seja para a amizade durar;
para não se acabar com a esperança,
os passos se tornarem dança
e a consciência descansar.
Se for para relativizar,
que seja para a luz perdurar.

By Mary

2 comentários:

  1. É deveras prazeroso assistir à maturação dos teus escritos, seja lá por que processo for... (a espontaneidade dum brevíssimo instante comporta mais sapiência que qualquer gesto lento de premeditação; embora se conheçam os ganhos duma madura revisão). Além do sentido exposto, a escolha pela rima, opção que habitualmente tomas, dá-lhe uma cadência muito própria, um ritmo dançante que, ao desafio, instiga o leitor a seguir-lhe os passos... Gostei muito. Já tinha, confesso, alguma saudade em ler algo novo de tua autoria. Estará este poema presente nesse primeiro livro que já pré-reservei mesmo antes de estar completo? (eheheh ;) )
    Beijos.

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  2. Olá Pedro! Em primeiro lugar, obrigada pela gentileza de sempre em acompanhares aquilo que vou escrevendo; aquilo que, inicialmente, eram meros desabafos acerca da minha forma de ver o mundo, as emoções, o outro. Sei lá. Acho que era, e vai sendo, a minha forma de me conformar, extrair dor e amor ou, simplesmente, de me reconciliar com o universo.
    Este poema não é, como a maioria (sobretudo os iniciais), produto da espontaneidade ante as emoções que a experiência traz ao mundo dos sentidos (ou, pelo menos, a quem os tem como a poesia não meramente racional impõe). Depois, por uma série de acasos ou repetições, diferente e iguais, parece que bateu em mim (em um jeito muito mais descontraído) um toquezinho de filosofia oriental. De desapego: não de qualquer circunstância fática, mas de qualquer coisa trazida pelo ego. O que tiver que ser, que seja em liberdade. Que venha a razão. E que se sobreponham sempre as coisas boas da vida e a leveza das emoções genuínas.
    Quanto a este poema, tentarei, ainda, incluí-lo no livro de que te falei. E, com toda a certeza, terei todo o gosto em oferecer-te um exemplar. Seria o mínimo, por teres lido aquilo que, de bom e mau, vou escrevendo.
    Um beijo :)

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