segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A profundidade é
transformadora.
Não pedimos por ela:
nasce connosco.
E permanece em um cantinho
qualquer.
Num desses cantos invioláveis
que dão sentido
à existência e que nos fazem perceber
o melhor e o pior.
Anda de mãos dadas
com a sinceridade. Às vezes
alegra-nos, transborda amor. Outras
leva-nos à reflexão solitária.
De nós para nós.
Numa viagem para dentro.
Quebra o 'go with the flow'.
Ajuda-nos a perceber o que somos,
o que queremos, o que precisamos.
E nunca o que leva a isso é material.
É uma benção e maldição,
que nos leva a rever a forma como
vemos o mundo, os valores e o amor.
Quebra a rigidez dos imperativos.
Ajuda-nos, até, a tolerar.
De vez em quando,
até pode parecer que ela foi embora,
mas está sempre lá. Não desaparece.
Dita morte e renascimento.
E só deixa o que estiver
em consonância com ela.
Uma consonância independente.
É filtro. A dependência oprime,
manipula, joga. E a profundidade
foge. É a intensidade, na paz que quer paz.
Por isso é seletiva em quem
deixa entrar ou permanecer.
O que entra é uma
consonância supra material qualquer.
Dessas que a normalidade nem sempre percebe.
Se dessemos essa intensidade a todos
com que nos cruzamos acabaríamos
sem energia, sem vontade própria,
como seres vulneráveis que não somos.
A fazer e a ser tudo aquilo que gostariam
que fossemos, mas que não somos.
E só o que somos nos faz felizes.
Ser 'capitão da nossa própria alma'
tem muito que se lhe diga.
Mas é infinitamente melhor
do que a insatisfação crónica.

By Mary



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