terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Seremos sonhos e gaivotas
palavras e silêncios a balançar.
Seremos risos e expressões
que tropeçam
para se denunciar.
Seremos abraços apertados,
troça de nós mesmos
e pequenos erros a lamentar.
Levantaremos os braços para tocar estrelas:
as que trazemos tatuadas nos olhos,
a dormitar.
Seremos livres e felizes.
Uns dias com sorriso forçado:
aquele que rápido se desfaz
com o término da ausência.
Espantaremos a madrugada,
inimputáveis pelos gestos
e desculpáveis pela (in)consciência.
Seremos loucos pela vida,
pelo novo,
pelo que podemos mudar para nos surpreender.
Quebraremos o tédio
e as horas cinzentas
da rotina ao entardecer.
E queimaremos lembranças boas
em palavras e sorrisos espontâneos,
regadas pelo vinho no jardim,
enquanto nos perderemos,
um no outro...
ou no olhar sobre uma flor jasmim.
Seremos o que quisermos,
sem dogmas, castrações nem falsas crenças.
Jamais perderemos a alegria.
E se a perdermos será rápido o seu renascer.
Contornaremos quaisquer diferenças.
Seremos só o que já somos.
O que sempre fomos.
O resto são pormenores por acontecer.

By Mary

1 comentário:

  1. Olá, Maria.
    Já não visitava o teu blogue há algum tempo, devo dizê-lo, mas no intervalo dos afazeres de hoje um qualquer chamamento que transcendia a razão devolveu à memória este espaço. Assim, a visita aconteceu. E ainda bem, permite que o acrescente.
    Dentro do que li, foram estas as linhas que mais se sobressaíram. Creio que fiquei rendido ao encanto natural destas palavras, tão simples, fluidas e espontâneas como o irromper dum pequeno broto da semente que há muito o sonhava. Pois há aqui um pouco desse esplendor, da magia que se espalha quando uma flor desabrocha. Há também, quer-me parecer, a suave e bela inocência que é apanágio dos sonhadores, ou pelo menos certos sentidos aparentam reger-se por tal toada. É um poema de bênção e expansão, pleno de jovialidade, fresco como as fontes que afogam a sede do estio; há nele um par de braços que se abrem a todo o porvir na delicada cadência de cada rodopio do momento que, como dança, agora ainda se vive.
    Posso perfeitamente ter passado ao lado da origem mais pura deste trabalho, é um risco que sempre se corre... Mas foi assim que o poema se me apresentou. Ou melhor: foi assim que o teu poema ressoou em mim. Gostei muito.
    Beijos e até breve.

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