quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O verso é concreto
e a vida etérea:
há poesia bastante
antes de qualquer poema

By Mary

sábado, 2 de setembro de 2017

Arruma-se. A vã tentativa de domesticar o caos. Conviver com incertezas faz-nos dar ao dedo. Escrever é um processo praticamente involuntário de auto-cura. Há coisas engraçadas que nunca escrevemos e que nos ondeiam no que desbravamos no inconsciente: essa poderosa dialéctica com a realidade, que aumenta a sua percepção. Dar de nós ao papel em branco: tanto, que os dedos falam o que a razão escondia; o que talvez tenha estado sempre lá. Essa coisa da autodescoberta. Mas o processo é complexo e, muitas vezes, tomamos notas mentais do impublicável. Tomamos consciência mas guardamos numa gaveta lá no fundinho. Nem todos chegam lá. 

By Mary

sábado, 19 de agosto de 2017

Toda a gente foge um pouco de si,
de vez em quando.
De vez em quando,
toda a gente se esconde;
toda a gente perde tempo
e ganha cura.
De vez em quando
uns meses resolvem o interior,
enquanto a vida corre e não espera.
Depois voltamos a sair para o mundo
com cara lavada e aura brilhante
para correr atrás do que deixamos passar.
De vez em quando
renascemos das cinzas
e matamos muitos medos.
De vez em quando
percebemos que humildade
não é sinónimo de anulação
e que não querer competir
não é o mesmo que burrice ou renúncia
e que podemos permanecer
com elegância.
De vez em quando
precisamos de um tempinho
para arrumar as gavetas
onde se cruza a razão e a emoção.
Depois damo-nos ao mundo,
sem remoer o passado
e esquecemos a dor desse
'de vez em quando'.
E sobram sorrisos
porque a memória é sempre seletiva.

By Mary

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Versos são raios
contra os mil silêncios
em que contemplo,
por dentro,
os sentimentos que me prendem.
Versos são raios
assimétricos
que me libertam.

By Mary

domingo, 23 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Suspeito que mesmo sem nada,
perto do mar,
seria feliz.
Por essa liberdade inexplicável
e essa fusão com o todo:
isso que, sem música,
é melodia;
que, sem ritmo,
traz harmonia à mente;
e que, com muitas cores,
constitui o timbre
de algo exclusivamente nosso
em contraste
com a expansão dos sentidos.

By Mary

domingo, 12 de março de 2017

Podem tirar-me tudo,
menos esta
benção e maldição
de perceber
além da aparência.

By Mary