sábado, 19 de agosto de 2017

Toda a gente foge um pouco de si,
de vez em quando.
De vez em quando,
toda a gente se esconde;
toda a gente perde tempo
e ganha cura.
De vez em quando
uns meses resolvem o interior,
enquanto a vida corre e não espera.
Depois voltamos a sair para o mundo
com cara lavada e aura brilhante
para correr atrás do que deixamos passar.
De vez em quando
renascemos das cinzas
e matamos muitos medos.
De vez em quando
percebemos que humildade
não é sinónimo de anulação
e que não querer competir
não é o mesmo que burrice ou renúncia
e que podemos permanecer
com elegância.
De vez em quando
precisamos de um tempinho
para arrumar as gavetas
onde se cruza a razão e a emoção.
Depois damo-nos ao mundo,
sem remoer o passado
e esquecemos a dor desse
'de vez em quando'.
E sobram sorrisos
porque a memória é sempre seletiva.

By Mary

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Versos são raios
contra os mil silêncios
em que contemplo,
por dentro,
os sentimentos que me prendem.
Versos são raios
assimétricos
que me libertam.

By Mary

domingo, 23 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Suspeito que mesmo sem nada,
perto do mar,
seria feliz.
Por essa liberdade inexplicável
e essa fusão com o todo:
isso que, sem música,
é melodia;
que, sem ritmo,
traz harmonia à mente;
e que, com muitas cores,
constitui o timbre
de algo exclusivamente nosso
em contraste
com a expansão dos sentidos.

By Mary

domingo, 12 de março de 2017

Podem tirar-me tudo,
menos esta
benção e maldição
de perceber
além da aparência.

By Mary

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Seremos sonhos e gaivotas
palavras e silêncios a balançar.
Seremos risos e expressões
que tropeçam
para se denunciar.
Seremos abraços apertados,
troça de nós mesmos
e pequenos erros a lamentar.
Levantaremos os braços para tocar estrelas:
as que trazemos tatuadas nos olhos,
a dormitar.
Seremos livres e felizes.
Uns dias com sorriso forçado:
aquele que rápido se desfaz
com o término da ausência.
Espantaremos a madrugada,
inimputáveis pelos gestos
e desculpáveis pela (in)consciência.
Seremos loucos pela vida,
pelo novo,
pelo que podemos mudar para nos surpreender.
Quebraremos o tédio
e as horas cinzentas
da rotina ao entardecer.
E queimaremos lembranças boas
em palavras e sorrisos espontâneos,
regadas pelo vinho no jardim,
enquanto nos perderemos,
um no outro...
ou no olhar sobre uma flor jasmim.
Seremos o que quisermos,
sem dogmas, castrações nem falsas crenças.
Jamais perderemos a alegria.
E se a perdermos será rápido o seu renascer.
Contornaremos quaisquer diferenças.
Seremos só o que já somos.
O que sempre fomos.
O resto são pormenores por acontecer.

By Mary

domingo, 15 de janeiro de 2017

Anestesiada
entre os raios de sol
que te trouxeram até mim.
Etéreo,
em um recado do universo.

By Mary