terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Não Sabes

Não sabes,
porque as palavras
perderam-se.
As palavras traíram-me
e sobraram
silêncios falantes.
As palavras traíram-me,
a mim e à razão,
se alguma houve.
Mas os pensamentos
têm manias de colibri.
Voam até ti.
Selvagens
e indomesticados.

Maria Vaz

Publicaco na Revista 7faces, Ano VIII, 15 edição, Jan-julho 2017. Acessível em: http://www.revistasetefaces.com/2018/01/7faces.html

Não te digo

Não te digo.
Não conseguiria
fazê-lo olhos nos olhos.
Mas se um dia os nossos olhos
se cruzarem,
talvez cansados,
por detrás do
sorriso em que transbordo,
saberás.
Saberás o que escondi
por detrás do que não esgotei
no que te disse.
O que as palavras
gastas,
que libertam,
nunca dizem
e que os sentidos agarram.
E se o perceberes,
verás um novo brilho em mim,
a abrir-se.
E eu perceberei
que percebeste
sem precisares
dizer nada.


Maria Vaz

*Publicado na Revista 7faces, Ano VIII, 15 edição, jan-julho 2017. Acessível em: http://www.revistasetefaces.com/2018/01/7faces.html 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O verso é concreto
e a vida etérea:
há poesia bastante
antes de qualquer poema

By Mary

sábado, 2 de setembro de 2017

Arruma-se. A vã tentativa de domesticar o caos. Conviver com incertezas faz-nos dar ao dedo. Escrever é um processo praticamente involuntário de auto-cura. Há coisas engraçadas que nunca escrevemos e que nos ondeiam no que desbravamos no inconsciente: essa poderosa dialéctica com a realidade, que aumenta a sua percepção. Dar de nós ao papel em branco: tanto, que os dedos falam o que a razão escondia; o que talvez tenha estado sempre lá. Essa coisa da autodescoberta. Mas o processo é complexo e, muitas vezes, tomamos notas mentais do impublicável. Tomamos consciência mas guardamos numa gaveta lá no fundinho. Nem todos chegam lá. 

By Mary

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Versos são raios
contra os mil silêncios
em que contemplo,
por dentro,
os sentimentos que me prendem.
Versos são raios
assimétricos
que me libertam.

By Mary

domingo, 23 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Suspeito que mesmo sem nada,
perto do mar,
seria feliz.
Por essa liberdade inexplicável
e essa fusão com o todo:
isso que, sem música,
é melodia;
que, sem ritmo,
traz harmonia à mente;
e que, com muitas cores,
constitui o timbre
de algo exclusivamente nosso
em contraste
com a expansão dos sentidos.

By Mary