quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O verso é concreto
e a vida etérea:
há poesia bastante
antes de qualquer poema

By Mary

sábado, 2 de setembro de 2017

Arruma-se. A vã tentativa de domesticar o caos. Conviver com incertezas faz-nos dar ao dedo. Escrever é um processo praticamente involuntário de auto-cura. Há coisas engraçadas que nunca escrevemos e que nos ondeiam no que desbravamos no inconsciente: essa poderosa dialéctica com a realidade, que aumenta a sua percepção. Dar de nós ao papel em branco: tanto, que os dedos falam o que a razão escondia; o que talvez tenha estado sempre lá. Essa coisa da autodescoberta. Mas o processo é complexo e, muitas vezes, tomamos notas mentais do impublicável. Tomamos consciência mas guardamos numa gaveta lá no fundinho. Nem todos chegam lá. 

By Mary

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Versos são raios
contra os mil silêncios
em que contemplo,
por dentro,
os sentimentos que me prendem.
Versos são raios
assimétricos
que me libertam.

By Mary

domingo, 23 de abril de 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Suspeito que mesmo sem nada,
perto do mar,
seria feliz.
Por essa liberdade inexplicável
e essa fusão com o todo:
isso que, sem música,
é melodia;
que, sem ritmo,
traz harmonia à mente;
e que, com muitas cores,
constitui o timbre
de algo exclusivamente nosso
em contraste
com a expansão dos sentidos.

By Mary

domingo, 12 de março de 2017

Podem tirar-me tudo,
menos esta
benção e maldição
de perceber
além da aparência.

By Mary

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Seremos sonhos e gaivotas
palavras e silêncios a balançar.
Seremos risos e expressões
que tropeçam
para se denunciar.
Seremos abraços apertados,
troça de nós mesmos
e pequenos erros a lamentar.
Levantaremos os braços para tocar estrelas:
as que trazemos tatuadas nos olhos,
a dormitar.
Seremos livres e felizes.
Uns dias com sorriso forçado:
aquele que rápido se desfaz
com o término da ausência.
Espantaremos a madrugada,
inimputáveis pelos gestos
e desculpáveis pela (in)consciência.
Seremos loucos pela vida,
pelo novo,
pelo que podemos mudar para nos surpreender.
Quebraremos o tédio
e as horas cinzentas
da rotina ao entardecer.
E queimaremos lembranças boas
em palavras e sorrisos espontâneos,
regadas pelo vinho no jardim,
enquanto nos perderemos,
um no outro...
ou no olhar sobre uma flor jasmim.
Seremos o que quisermos,
sem dogmas, castrações nem falsas crenças.
Jamais perderemos a alegria.
E se a perdermos será rápido o seu renascer.
Contornaremos quaisquer diferenças.
Seremos só o que já somos.
O que sempre fomos.
O resto são pormenores por acontecer.

By Mary

domingo, 15 de janeiro de 2017

Anestesiada
entre os raios de sol
que te trouxeram até mim.
Etéreo,
em um recado do universo.

By Mary

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Aprender, aprendemos todos.
O problema é que temos
diferentes formas de ver e ouvir.
Ou de catalogar em gavetas analíticas.
Uns saberão tudo,
mas não conseguirão decompor
uma vírgula ou miragem.
Há quem consiga tudo com a razão,
porque é neutra e cede facilmente
a finalidades egoísticas.
Há quem não veja nada,
só por ter bom coração.
Há quem veja e coloque lentes cor-de-rosa.
E finja, finja... que vive na alienação.
Há quem jogue o tempo todo.
Há quem queira ser feliz
e não releve, não releve... até à leveza.

By Mary

O problema é a profundidade
por detrás das ondas do cabelo,
por detrás das curvas.
Essas coisas que não se mostram
e só se adivinham por quem
percebe além da aparência.
E o mundo dos intelectuais
está cheio de analfabetos
nessa linguagem que não se vê.

By Mary