quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Há verdades que morrem para deixar viver insignificâncias.
Quando olho o céu ou fito o mar;
Quando atinjo o infinito
de um qualquer horizonte onde me perdi;
Sei que sou uma insignificância pensante:
um quase nada energético.
Não sou mais do que poeira estelar
e isso alegra-me.

Os pensamentos vagueiam em nós. Agarramo-los e deixamo-los ir, porque não dá para escrever tudo numa página de papel. O que pensei ao por do sol foi uma iluminação esquecida na vicissitude mental articulada em uma espécie de hierarquia de preocupações ou desejos. Por segundos ou minutos tocamos o infinito e deixamo-lo ir para nos resignarmos à pequena particularidade que costumamos ser. No fundo, a nossa mente é viciada, não no plano concreto mas no fértil mundo das abstrações. Atraímos padrões semelhantes, vivemos situações semelhantes: há sempre esse desejo de fuga e de arte, de querer dar cor ao incolor e perfumar o inodoro. A paixão pela vida faz-nos exalar qualquer coisa inominada, geradora de reações de amor ou de ódio por parte de terceiros. Parece que a bondade gera uma inilidível presunção de burrice. No fundo, não é que não se perceba a realidade:  ela aflora nas percepções nítidas da razão. Contudo, há a irrelevância e toda a felicidade gratuita que daí advém. Convém recordar as 'iluminações' para não esperar surpresas e armazenar a sabedoria que nenhum livro contém.

By Mary