segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A calma,
A pacatez,
A perversidade do silêncio.
A paz que, do nada, desponta
iluminando, por dentro,
escuridões existenciais.
A fugacidade de um pensamento
que se solta
e volta acrescido
pelo brilho dos teus olhos
além de um mundo de podridão.
O desconhecimento inquisitivo
daquilo que, em ti, é convicção.
A penetração desse olhar oblíquo
por entre as inquietações disfarçadas
de alguém que se deixa culminar pela imaginação:
Dançante em nuvens de saudade.

Alma Salgueiro


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Liberdade de ser tudo
e tão pouco
e irrelevar quase tudo,
tornando-o quase nada.
Liberdade de sobrevoar
pela vida
como quem divaga
ou como quem flutua
em um lago de água cristalina
embelezado por nenúfares
e rodeado de árvores
esverdeadas com toques carmim,
em um solo adornado de malmequeres
e rosas brancas.
Liberdade de ser,
sem ligar a julgamentos
de fundamentos duvidosos,
amedrontados por uma qualquer
insegurança existencial
que degenera a beleza essencial.
Liberdade de ter paz
e de rir como quem deambula
por uma estradinha de terra
com cheiro de chuva,
em lugares simples
rodeados de pessoas
de coração gigante.
Liberdade de dar opinião,
mas jamais sacralizá-la
ou torná-la a única certa
e ficar feliz enquanto se dialoga na diferença
na esperança de um mundo melhor.
Liberdade de dar espaço,
de dar tempo,
de ter paciência,
independência,
de não interferir na vontade
dos que nos rodeiam.
Liberdade de aceitar as decisões dos outros,
mesmo que elas nos aniquilem,
em palavras baixinhas
ou silêncios gritantes
a expectativa e o coração.
Liberdade de agir ou reagir,
ou silenciar,
de fazer ou não fazer,
por compulsão ou intuição
o que o coração não deixa calar.
Liberdade de ser espontânea
em um mundo castrado pela razão.
E sorrir,
como o girassol
que se fecha à escuridão
e se abre para a luz.

By Mary

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

As nossas essências colidiram
algures em um tempo distante.
Não somos mais do que assimilações
de causalidades perdidas no caos.
Despertamos tonalidades vagas
em almas anestesiadas pelo banal.
De vez em quando,
encontramos brilho na complexidade do mistério,
enquanto rejubilamos no meio do vácuo.
E cintilamos como uma supernova
prestes a eclodir.

By Mary

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016


E se a vida me trouxer melancolia,

escreverei até me cansar,

até a transmutar em alegria. 


By Mary ;)



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Por mais que a aparência evidencie formas
a essência esconde sempre significâncias perdidas
na evolução de um tempo
que apaga aos outros
dimensões ocultas do nosso 'eu'.

Alma Salgueiro
A verdade é que existem circunstancialismos na vida que, por algo supra racional, nos podem deixar com o pensamento viciado ou com as emoções atribuladas. E isso dura até que chegue uma rajada cortante de razão, que nos faz perceber o quão ridículas as emoções nos podem deixar. Assumo isso e acho-o tão natural como a leveza de um amanhecer que se segue, gerando um novo ciclo. Sentir é sinal de humanidade.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A vontade é eterno mistério da volubilidade insusceptível de juízos de prognose em linha reta acerca da nossa vida. 
Afinal: o que é a vontade? Seja ela livre ou determinada: qual é a sua origem? O que a alimenta? E o que é que a faz cessar? 
Não sabemos nada e agimos como se soubéssemos ou como se conseguíssemos colocar ordem, através da razão, em um mundo de reminiscencias emocionais que, pela sua inexplicabilidade, pertencerá sempre ao reino do caos. 

By Mary






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016